“Desafios de pais com crianças difíceis” com Marta Furtado

A vida é cheia de desafios e muitas vezes somos confrontados com situações que não estamos à espera. Para quem é pai ou mãe, esses desafios acabam por ser diários, com crianças “difíceis” ou não. 

Sabendo isto, estive à conversa numa live do Instagram com a Marta Furtado que é Kids Coach, especialista em ajudar famílias a ter harmonia familiar e ajuda a que todos os membros da família tenham o melhor relacionamento possível. 

A Marta tem uma energia positiva que contagia quem fala com ela. Ela faz sessões de coaching com crianças e pais no contexto educativo e também com professores em meio escolar. 

E O QUE É O COACHING?

Para a Marta o coaching é como um meio de estar na vida. Diz que pela nossa educação estamos mais habituados a falar com respostas e menos educados a perceber o que é que os outros pensam e sentem em determinada situação. Sabe que as experiências de vida são todas diferentes e por isso a resposta de um pode não ser a solução do outro. 

Na sua abordagem do coaching cada um tem o seu mapa mundo e há que haver um respeito pela perspetiva do mapa do outro. 

Através de perguntas, o coaching leva as pessoas a refletirem, a tomarem uma decisão e depois tomem uma ação. Ou seja, para Marta, o coaching tem a ver com mudança de comportamentos, criando um objetivo para alguma coisa que queremos resolver que consideramos que não esteja bem. Tomando consciência de si mesmo e do momento presente, a pessoa em conjunto com o coach, traça um caminho para lá chegar.

O papel do coach é de facilitador que acompanha e não deixa a pessoa desistir desse caminho.
Mesmo surgindo inseguranças e crenças que, nestes processos, na maior parte das vezes, não temos consciência que as temos. 

É então um processo que leva a pessoa á reflexão, decisão e depois à ação que se faz com adulto e crianças. 

A Marta explica de uma forma muito simples a diferença entre o coaching para adultos e para crianças neste excerto do vídeo:

EXISTEM 2 TIPOS DE COACHING INFANTIL

– Coaching Formal

Acontece numa sala/escritório com o coach num trabalho direto que é feito com a criança.
Só é recomendado a partir dos 7/8 anos, quando a criança já tem uma noção de abstração maior, quando já consegue relacionar temas que aconteceram no passado e, à partida, já terá uma estrutura mental que permite fazer esse tipo de trabalho.

Antes disso, entre os 2 e os 7/8 anos, a abordagem que se recomenda é o coaching informal. 

– Coaching informal  

Uma abordagem que é feita pelos cuidadores da criança (incluindo pelos professores) e pode ser até ao resto da vida. É um coaching do dia-a-dia. 

O trabalho da Marta como kid coach é dar as ferramentas necessárias aos pais e aos professores para conseguirem aplicar essa abordagem. E diz que o melhor coach possível são os pais. 

QUAL O MAIOR DESAFIO QUE OS PAIS TÊM COM OS FILHOS? 

Da sua experiência, a Marta indica que é muito comum as crianças sentirem que não são ouvidas pelos pais e os pais sentem que as crianças não os ouvem. 

Revela que isso possa ter a ver com as conversas íntimas entre pais e filhos, que apenas recentemente começam a ser mais introduzidas na educação dentro de casa. 

Aponta que o que está então a faltar são conversas em que as pessoas se ouçam.
Apesar de parecer uma dica básica, faz uma diferença muito grande na vida das pessoas.

A maior parte dos pais quando chega a pedir auxílio a um kid coach culpam-se muito. O que deve ser contrariado, uma vez que estão a fazer o melhor possível. Bem como os nosso pais fizeram connosco, mesmo com todas as falhas que possam ter tido, porque somos seres imperfeitos, portanto, é normal que isso aconteça. 

Assim, aconselha a iniciar uma boa conversa começando por dar a perceber que entendemos o outro, querer acolher o outro – algo que acontece com as crianças, mas que é válido com todos nós. 

Exemplo:
A criança diz “Não estou a conseguir fazer os trabalhos de casa. Sou mesmo burro. Não quero ir para a escola.”. 

Neste tipo de situação, os pais não devem dizer algo como “Não te preocupes, tu vais conseguir fazer, isso é fácil.”, mas antes acolher os sentimentos da criança, passar empatia e encolhe-la. Não contrariando o sentimento da criança, dizendo algo como “Eu entendo que estejas a sentir isso. Estás triste por este móvito…”. 

Ou seja:

1ª acolher a criança para que sinta que tem a empatia e compreensão dos pais

2ª conversar sobre o que é que levou a essa situação 

DICA: Uma boa conversa é feita com boas perguntas. 

O PROCESSO DE KIDS COACH

Numa abordagem informal de kids coach, os pais também estão a aprender. Por isso, é um processo gradual, em que a criança E os pais vão fazendo pequenos progressos. 

É então um processo do dia-a-dia em que vai havendo uma mudança pequenina no comportamento da criança em que os pais tentam sempre acolhê-la e depois conversar com ela tentando perceber em conjunto ao que motivou àquela situação.

REGRAS E COMBINADOS

Com a vida a correr, muitas famílias ainda não assentaram as suas regras da família. Com tudo a acontecer, de repente têm filhos e têm de educar e de repente estão a surgir problemas e não sabem como resolver e nem sequer pensaram se há ou não regras, se o que é importante para o pai é importante para a mãe (e vice-versa), etc. 

Por isso, é importante que enquanto cuidadores, perceberem quais as “regras da casa” para que, quando surgirem situações com as crianças ser mais claro de resolver, tanto para os adultos como para as crianças. 

Exemplo:
Os cuidadores acordam que uma das regras da casa é ter de tomar banho todos os dias e há sempre problemas com o banho, porque quando dizem à criança para o fazer isto vai interromper a brincadeira. 

A solução pode passar por conversar dizendo algo como “Na nossa casa toma-se banho todos os dias. A forma como tu tomas banho, podemos decidir em conjunto, queres dar-me alguma ideia?” colocando o papel do lado da criança para que ajude na resolução do problema. E as crianças têm sempre ideias muito criativas. Neste caso, por exemplo, como é que conseguimos integrar a brincadeira no banho? E a criança pode sugerir mil e uma coisas como levar os carrinhos para o banho. 

Para isto, é fundamental então, encontrar um “combinado” que deve ser feito pela criança. O adulto lança a pergunta (ex: “Tu tens de tomar banho, qual é a tua sugestão para fazer isso de forma divertida?”) e é a criança que dá a sugestão que fica combinada.

Quando os pais tentam impor as suas regras só por que sim, sem o entendimento ou poder de decisão da criança, tornam o ambiente familiar destrutivo. 

Nesta perspetiva, quando os pais estão a partilhar uma regra com as crianças é necessário explicar o porquê dessa regra. Isto ajuda a evitar “guerras” quando as situações de confronto surgirem. 

OPINIÃO ALHEIA E EXPOSIÇÃO PÚBLICA PERANTE OS COMPORTAMENTOS DOS FILHOS

Somos seres sociais, logo os nossos comportamentos influenciam e são influenciados pelos outros. 

Muitas vezes, em situação desconfortáveis na educação dos filhos, como por exemplo uma “birra” em pleno supermercado, os pais tentem a ter uma postura diferente e que é condicionada pelos olhares de quem está à volta. Uma postura muito diferente caso a mesma situação acontecesse em casa, sem mais ninguém a ver. O mesmo acontece com o comportamento das crianças. 

A Marta explica que existem 2 tipos de birras: 

– Birra intencional

Uma birra direcionada a uma pessoa ou situação específica. 

Neste tipo de birras (até aos 2 anos), muitas vezes é suficiente fazer um estímulo de distração, como um som de estalar de dedos ou cantar, algo que chame a atenção da criança e que a desvie desse ciclo. 

– Birra imprevisível 

Aparentemente acontecem do nada e estão associadas ao sequestro da amígdala.
As crianças são apanhadas de surpresa, ficam confusas, não têm o sistema límbico preparado e não conseguem racionalizar e acalmar-se. 

Neste tipo de birras mais explosivas, num local público, em que o adulto sente que a criança está a ter um comportamento que não é adequado ao local, a tendência natural é ralhar. 

Marta relembra que uma birra, seja ela qual for é sempre uma necessidade não resolvida. É uma forma da criança expressar alguma coisa que ela quer e que não está a ter. 

Muitas vezes nos supermercados as crianças estão muito cansadas e fartas de ali estar.
Nestas situações, o ideal é o adulto baixar-se e ter uma comunicação ao nível da criança, olhos nos olhos, utilizando um tom de voz calmo e acolher a criança. 

Mesmo que seja apenas preciso um ABRAÇO.

(Vê o que é que o Nuno Martins tem a dizer sobre o PODER do abraço)

O que pode parecer contraditório. Então a criança está a ter um comportamento inadequado e eu ainda lhe vou dar um abraço?! 

Mas a verdade é que quando a criança se sente acolhida ela consegue baixar a reação do sistema límbico e, portanto, fica mais tranquila. E a partir daí continuar com o processo: 

ACOLHIMENTO – CONVERSA – SOLUÇÃO

Mais do que a vivência em si, a forma como experienciamos as coisas é marcante, daí ser fundamental, enquanto adulto, manter a calma e tranquilidade e ter a capacidade de conversar. A interpretação dessa vivência é o passo seguinte para que a situação seja entendida e aconteça com menos frequência. Ou seja, depois da criança estar calma, conversar sobre o porquê daquela birra e qual o comportamento desejado numa situação semelhante é fundamental. Para que na próxima vez que tal situação acontecer, a criança possa pensar como pode gerir-se. 

Claro que não é à primeira, pois é uma aprendizagem que necessita de uma evolução gradual.

3 PILARES PARA UMA FAMÍLIA COM HARMONIA

A Marta como kids coach, considera que o seu trabalho passa por encontrar caminhos para fazer a família feliz e não propriamente dar razão à criança ou aos pais. 

Da sua experiência, considera que esses pilares são: 

– Dar o exemplo

Os pais podem promover e dizer o que quiserem (ex: tens de aprender a ouvir os outros, tens de aprender a falar com calma, etc), mas se os próprios não fizerem isso, aquilo que prevalece é o que é feito pelos pais e não o que é dito para fazer. 

– Acolher

– Boas conversas

Diz nos comentários se consideras que na tua família estes três pilares estão assentes.  

SARA FERREIRA

Olá, eu sou a professora de Dança que te vai pegar o bichinho. 😄🤘

Danço desde que me lembro e concretizei um dos meus sonhos ao licenciar-me em Dança pela Faculdade de motricidade Humana. 🎓

Dou aulas há mais de 10 anos e o meu próximo sonho é fazer com que também TU fiques com o bichinho da Dança. 🤩 Porque quem Dança é mais feliz!

Atenção⚠️ 
Aqui podes ser picado!

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